domingo, 20 de setembro de 2009

Dificuldades de aprendizagem com origem emocional

Os comportamentos e as perturbações que acompanham o insucesso escolar são tão diversos e múltiplos que a procura do seu sentido nunca é fácil. Contudo, quando esse insucesso é profundo, quando se mostra resistências às ajudas personalizadas, temos a impressão de voltar sempre à mesma razão, que não podemos dizer única, mas sim essencial: algumas crianças perante a situação de aprendizagem, na escola, vêem despertar medos e emoções que as destabilizam. Estas crianças organizaram-se psiquicamente face às condições de vida em que se deu o seu desenvolvimento, e essa organização pessoal cheia de carências ao nível afectivo, não é compatível com o processo de aprendizagem.
Pais, professores e educadores, ficam sem saber o que fazer, perante as dificuldades que por vezes surgem no decorrer do processo de aprendizagem escolar das crianças. Cada vez mais essas dificuldades surgem em idades muito precoces. Sucedem-se os pedidos de avaliação psicológica, oriundos de diversos técnicos. Mas, os testes apenas tem por função avaliar os componentes cognitivos e funcionamento geral da criança. Na maioria dos casos não são as falhas do ponto de vista cognitivo, mas sim a ausência de um bem-estar emocional que cria a indisponibilidade interior para manter vivo o desejo de conhecer e o prazer de aprender. Estas crianças estão preocupadas com outras coisas, cheias podemos dizer, logo não existe espaço para mais nada, e o conteúdo das aprendizagens pode por vezes despertar emoções difíceis de viver.
Nestes casos, e sempre que os professores ou pais verifiquem que a criança não está bem emocionalmente poderão recomendar que consultem alguém da especialidade. Poderão começar pela consulta de psicologia clínica onde será feita uma avaliação cognitiva e emocional para que se conclua se é necessário uma psicoterapia. Quase sempre é. Se for necessária intervenção de pedopsiquiatria será aconselhado que os pais o façam, porque quase sempre é necessário uma intervenção multidisciplinar.
Estas crianças apresentam muitas vezes uma irrequietude não raras vezes confunfida com a hiperactividade, tristeza, apatia, agressividade verbal e fisica entre outros sintomas.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A ansiedade do primeiro dia de escola dos mais pequenos.

Este dia tem como significado primeiro para todas as crianças, a passagem para outra fase do seu desenvolvimento da qual já tem uma enorme consciência “… vou para a escola aprender a ler e a escrever…já não sou bébe…” ouvimo-los dizer, cheios de si por deixarem de pertencer ao grupo dos mais pequenos. Este dia é uma espécie de ritual vivido com alguma ansiedade por pais e crianças. Não é invulgar existirem choros na porta da sala de aula e mães que ficam lá fora para que os seus pequenos as vejam, única forma de ficarem na escola. Claro que é difícil às crianças com 5 /6 anos deixarem o ninho protector do lar, das avós ou dos jardins-de-infância e creches, ambientes conhecidos e seguros que conhecem desde que nasceram. A separação e a autonomia estão intimamente relacionadas, ninguém se separa fisicamente dos pais se não tiver autonomia interna e se sentir seguro que não vai ser abandonado. O grande dilema das crianças á a ansiedade gerada pela incerteza de poderem ser abandonados (embora isso não vá acontecer) e o ficarem num ambiente estranho com pessoas desconhecidas. Quanto mais insegura for a criança mais dificuldade vai ter em se adaptar à escola e em consequência em separar-se dos pais.
A ansiedade gerada pelo primeiro dia de escola é normal e até uma pequena lágrima de ambas as partes, pais e crianças passam para uma nova etapa das suas vidas.
No entanto se a dificuldade de separação se mantiver por mais de uma semana, e a ansiedade da criança for muita, é porque qualquer coisa não está bem ao nível emocional. Por vezes as crianças ficam ansiosas porque os pais também o são e lhes transmitem esse sentimento. Os pais devem ficar atentos às crianças nestes primeiros dias e procurarem observar as suas reacções, perceberem se dormem bem, se brincam e comem, em suma observarem se os níveis de ansiedade dos seus filhos são normais. Ao fim de uma a duas semanas tudo deve estar normalizado. Nem todas as crianças processam a informação no mesmo tempo, logo alguns poderão demorar mais a assimilar uma nova situação. Em caso de situações de extrema ansiedade é conveniente procurar ajuda especializada.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Grupos Terapêuticos

"O renascimento do novo" Salvador Dali

Grupos de Desenvolvimento Pessoal
( Psicoterapias de grupo)

INICIO A 6 DE OUTUBRO DE 2009
Estão abertas as inscrições até ao dia 30 de Setembro para o grupo de Montemor-o-Novo

Indicações:
As terapias de grupo são indicadas para problemas como fobias sociais, medo de falar em público, inibição, baixa auto-estima, estados depressivos leves, dificuldades de relacionamento inter-pessoal, entre outras. As terapias de grupo tem algumas vantagens, tais como ficarem mais baratas, e serem um momento de partilha com o outro. Se estiver interessado(a), inscreva-se se tiver mais de 18 anos.

Duração :
1 sessão semanal de 1he 30 a 2h durante 5/6 meses.

Preço :
30 euros por sessão ( +- 120 euros por mês)

Horário :
Terças Feiras às 20h

Metodologia:
Dinâmicas de grupo e partilha com o grupo. A Psicoterapeuta é a facilitadora das sessões.

Limitado a 10 inscrições
* As psicoterapias de grupo rejem-se pelas normas do Contrato Terapeutico.

sábado, 22 de agosto de 2009

Quando dois se tornam três: a mudança que o nascimento de uma criança traz na relação conjugal.


Quando um casal tem um filho, seja essa criança planeada ou surja de forma ocasional, uma nova família será constituída a partir desse nascimento, ou melhor, podemos dizer que desde a confirmação da gravidez surgem alterações na relação do casal. Mãe e pai deixam de ser apenas parceiros e filhos para passarem a ser pais. A mudança de papéis e funções alteram-se em consequência do nascimento deste primeiro filho.

Esta nova família nuclear que se forma é produto de um casal que vem de famílias diferentes e que transporta consigo a genética, os valores e histórias das suas famílias de origem. Tudo isso é uma enorme influência na configuração da nova família. Cada membro do casal traz para a educação dessa criança tudo aquilo que recolheu da sua própria vivência familiar.

A primeira alteração que surge na dinâmica do casal está relacionada com o estado físico da mulher que a partir de alguns meses de gravidez pode condicionar (dependendo do estado de saúde da mulher), em situações anormais o relacionamento sexual do par. A frequência pode diminuir ou podem mesmo deixar de existir durante alguns meses. Se a relação afectiva entre os dois não for sólida e madura, poderá ser um abanão na relação do casal. Por vezes surgem as infidelidades e a poderá até existir uma ruptura dessa relação. Um dos sinais de que essa relação poderá ser sentida como insegura por parte da mulher tem a ver com o aparecimento dos tão falados enjoos, que não são mais que manifestações somáticas da insegurança afectiva ou muitas vezes da rejeição inconsciente da gravidez por parte da futura mãe. Por vezes desaparecem, quando a vinda da criança é aceite ao nível inconsciente e a mãe se sente mais segura na relação com o marido, ou seja, não vai ser abandonada.

O nascimento do primeiro filho é uma fase de profunda transformação na vida do casal, criando novos papéis, principalmente o de mãe e de pai, o que, de alguma maneira irá ter repercussões na relação conjugal. Além disso, esta etapa do ciclo de vida familiar irá afectar toda a família ampliada, alterando papéis e exigindo uma reorganização de todo o sistema familiar.

Com o nascimento da criança a tensão aumenta no seio da família e entre o casal, é uma tensão dita normativa, e pode ser vivida com maior ou menor ansiedade, variando esse aspecto conforme foi vivido pelas gerações anteriores, ou seja, se o nascimento das crianças foi vivido com calma e serenidade na família dos progenitores decerto esse sentimento e essa vivência será perpetuada, se pelo contrário foi vivido com ansiedade então é provável que volte a acontecer, dificultando a adaptação da criança e dos pais a uma nova situação.

Muitos casais com problemas ao nível do relacionamento idealizam o nascimento da criança como um momento mágico acreditando muitas vezes que ele irá resolver problemas conjugais e familiares. No entanto, embora isso possa acontecer, muitas vezes sucede o contrario, os conflitos e os problemas agudizam-se, pois agora existe mais um membro que durante quase todo o tempo exige a atenção da mãe e do pai, deixando durante muito tempo pouco espaço para o casal. As mudanças na vida conjugal são tão abruptas que muitos casais não resistem a elas. Outros acreditam que com o nascimento vão ficar mais unidos e acabam por se afastar devido a discórdias e discussões que podem levar mesmo à separação.

Alguns casais unem-se, de facto, assumindo o papel quase de missionários, pois muitas vezes esta criança vem cumprir uma função na família.
Estes são alguns aspectos da alteração da dinâmica familiar, no entanto existem outros, específicos de cada família, que não estão aqui mencionados.
A ansiedade desta fase é inevitável, mas nem sempre é geradora de conflitos, no entanto é importante o casal tomar consciência das alterações que a sua vida irá sofrer. Frequentar grupos terapêuticos de aconselhamento (quando existam duvidas e ansiedades) poderá ajudar os membros do casal a desmistificar e a elaborar medos e ansiedades decorrentes dessa nova mudança de papéis.