quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Os bébes também deprimem.

Em Portugal, entre 15 e 20 por cento dos bebés até os três anos que frequentam consultas da primeira infância sofrem de depressão, segundo dados de pedopsiquiatria dos hospitais.

Há a necessidade de os pais estarem atentos aos sinais. Os chamados «sintomas ruidosos», como a inquietude e a hiperactividade, são os mais frequentes da doença, apesar de os pais não os associarem frequentemente à possibilidade de o bebé estar deprimido. O bebé que chora muito sem motivo aparente (não tem fome, frio/calor, dores) poderá estar a dar sinais de depressão.

A depressão nos bebés é provocada por «acontecimentos negativos na sua história relacional, nomeadamente descontinuidades na relação com a mãe, rupturas, perdas, má prestação de cuidados, abandono e indisponibilidade dos prestadores de cuidados terem trocas afectivas positivas com o bebé. Mães ou cuidadores muito deprimidos não tem disponibilidade afectiva para estimular a criança e dar-lhe afecto. O bebé não deprime senão em função da depressão materna muitas vezes deprimida há longo tempo. Tudo o que a relação gera (inclusive a partir da vida uterina) tem uma preponderância essencial no comportamento dos bebés, podendo condicionar as competências inatas do bebé. A mãe interage com o seu filho se tiver competências emocionais para tal, mas, o bebé também estimula a mãe a interagir com ele (Eduardo Sá, 2003). Quando a relação já foi “mortiça” na gravidez então poderá ser mais difícil depois do nascimento. Não é invulgar ouvir mães a queixarem-se que os seus bebés choram muito, que estão desesperadas sem saber o que fazer.
Bebés deprimidos também está longe de ser um problema dos tempos modernos. Hoje os técnicos sabem mais, graças aos estudos feitos ao longo dos anos e, estão mais atentos ao problema e habilitados a reconhecer os sintomas, que podem manifestar-se de formas muito diferentes e, muitas vezes, são confundidos com outras causas e não associados à depressão.

Em situações de depressão do bebé, resta fazer um trabalho psicoterapêutico com a mãe (quase de certeza deprimida também) e com o bebé adequando aos poucos a relação maternal às necessidades do bebé. Quando trabalho não é feito, mais tarde, na infância ou na adolescência, podem surgir vários problemas derivados da depressão. São o caso das crianças distraídas, hiperactivas (sem lesão neurológica) agressivas, predispostas a acidentes, com fracos resultados escolares, e dos adolescentes que cedo começam a consumir drogas e enveredam por uma vida de delinquência. A consulta de psicologia do bebé faz, assim, todo o sentido. Se o seu filho apresenta sinais de desconforto e inquietude, não dorme, mama mal ou rejeita o biberão, chora muito, poderá estar deprimido.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Problemas emocionais nas crianças vs dificuldades de aprendizagem


Os comportamentos e as perturbações que acompanham o insucesso escolar são tão diversos e múltiplos que a procura do seu sentido nunca é fácil. Contudo, quando esse insucesso é profundo, quando se mostra resistências às ajudas personalizadas, temos a impressão de voltar sempre à mesma razão, que não podemos dizer única, mas sim essencial: algumas crianças perante a situação de aprendizagem, na escola, vêem despertar medos e emoções que as destabilizam. Estas crianças organizaram-se psiquicamente face às condições de vida em que se deu o seu desenvolvimento, e essa organização pessoal cheia de carências ao nível afectivo, ou fruto da vida fantasmática (fantasias da criança), não é compatível com o processo de aprendizagem.


Pais, professores e educadores, ficam sem saber o que fazer, perante as dificuldades que por vezes surgem no decorrer do processo de aprendizagem escolar das crianças. Cada vez mais essas dificuldades surgem em idades muito precoces. Sucedem-se os pedidos de avaliação psicológica, oriundos de diversos técnicos. Mas, alguns testes apenas tem por função avaliarem os componentes cognitivos e funcionamento geral da criança. Fica-se com uma informação que em pouco ajuda e que apenas pode servir para desresponsabilizar os adultos envolvidos, ao ponto de se poder dizer “ afinal há um problema!”. No entanto o que os testes nos dizem é precisamente o contrario. Ao nível cognitivo está tudo bem. A parte emocional não.

Na maioria dos casos não são as falhas do ponto de vista cognitivo, mas sim a ausência de um bem-estar emocional que cria a indisponibilidade interior para manter vivo o desejo de conhecer e o prazer de aprender.

Estas crianças estão preocupadas com outras coisas, cheias de outras coisas, coisas que perturbam, podemos dizer, logo não existe espaço para mais nada, e o conteúdo das aprendizagens pode por vezes despertar emoções difíceis de viver.


Nestes casos, e sempre que os professores ou pais verifiquem que a criança não está bem emocionalmente, poderão recomendar que consultem alguém da especialidade.

Poderão começar pela consulta de psicologia clínica onde será feita uma avaliação cognitiva e emocional para que se conclua se é necessário uma psicoterapia. Quase sempre é. Se for necessária intervenção de pedopsiquiatria será aconselhado pela psicoterapeuta que os pais o façam. Poderá ser necessária uma intervenção multidisciplinar.

No entanto um bom trabalho com a família e a criança, quando a família está receptiva, é suficiente para desbloquear o problema emocional. Quanto mais o problema se arrasta no tempo, mas difícil será inverter a situação.Culpabilizar os pais e a escola não é solução, em nada ajuda a criança.


Estas crianças apresentam muitas vezes uma irrequietude constante, não raras vezes confundida com a hiperactividade, tristeza, apatia, agressividade verbal e física entre outros sintomas. Uma criança com problemas é reflexo do seu meio ambiente. Influencia e é influenciada. Senão houver uma intervenção especializada no contexto, o problema arrasta-se, podendo agravar uma situação que pode ter uma resolução rápida.

Aos pais recomendo que fiquem alertas sempre que algum técnico sugira que a criança é hiperactiva, tem qualquer doença do espectro do autismo, síndrome de Asperger (muito em moda) dislexia, e peçam uma segunda opinião. Está na moda, fruto da criação de alguns centros de desenvolvimento infantil, atribuírem rótulos deste tipo a todas as crianças.

Procure ajuda para o seu filho e para si.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Tratamento da depressão

A depressão é uma doença do foro psicológico que afecta todo o organismo humano, ou seja, afecta o físico e o psíquico. Assim, a pessoa deprimida poderá ter vários sintomas, estes são os mais comuns:

· Dores de cabeça, nos membros superiores e inferiores, dorso, formigueiros no corpo, extremidades e cabeça, dores de estômago e transtornos intestinais.

· Sensação de esvaimento

· Insónias recorrentes

· Fadiga

· Sentimentos de culpa

· Baixa auto-estima

· Falta de apetite

· Falta de desejo sexual.

Estes são sintomas necessários para fazer um diagnóstico de depressão. No entanto, é necessário distinguir entre tristeza e depressão, uma vez que a tristeza é pontual e sempre relacionada com algum acontecimento (morte de familiar, perda de emprego, conflitos interpessoais etc) que quando resolvido cessa o sentimento de tristeza.

A depressão é uma doença relacionada com a falta de afecto, e ao contrário do que as industrias farmacêuticas querem fazer crer, tem tratamento sem medicação, quando é diagnosticada a tempo, ou seja em idades jovens. No entanto em idades mais avançadas é igualmente recomendável, pois tem benefícios significativos e duradouros.

O tratamento da depressão tem sempre que incluir psicoterapia que pode ser de várias correntes (psicanalítica, comportamental, cognitiva, construtiva, sistémica) não estando uma mais certa que a outra. Na avaliação do caso o psicoterapeuta credenciado deverá perceber qual o tipo de terapia que se aplica ao paciente e esclarece-lo sobre os diversos tipos de tratamento.

Portanto, o tratamento da depressão é feito com psicoterapia e eventualmente com antidepressivos, se for necessário. A psicoterapia é feita por um psicoterapeuta, pertencente a uma sociedade científica na qual fez formação e ao contrário do que se pensa, não basta ser psicólogo clínico para fazer psicoterapia. Seria o mesmo que um médico de clínica geral dizer que é especialista em cardiologia sem nunca ter feito especialização.

Outro mito que importa esclarecer é o referente às terapias alternativas. Dizer que fazer acupunctura, reiki, ioga, correntes, entre outras ofertas que proliferam no mercado, a pessoa se está a curar da depressão, é falso. Essas terapias poderão ser aconselhadas a quem não tem qualquer tipo de problema. A depressão é um problema mental e como tal é tratado por técnicos de saúde mental (psicoterapeutas e psiquiatras), nunca por outro tipo de terapias.

A depressão não passa com o tempo, tende a agravar-se até que o ciclo seja interrompido num tratamento psicoterapêutico. Quanto mais cedo se detectar a doença (por vezes na infância) mais fácil é o seu tratamento e mais rápido, sendo a remissão dos sintomas, por vezes até bastante rápida.

Não deixe passar o tempo. Marque a sua consulta e comece a tratar de si ou de uma familiar seu.

sábado, 9 de outubro de 2010

Sintomas da depressão.

A depressão é uma doença que afecta o físico, o humor e em consequência o pensamento. Altera a maneira como a pessoa vê o mundo e sente a realidade, entende as coisas, manifesta emoções, sente e dorme, como se sente em relação a si próprio, e como pensa sobre as coisas. É portanto uma doença em que o humor e o afecto estão perturbados, em que a apatia e falta de pensamentos positivos não podem ser alteradas apenas pela força de vontade ou esforço do sujeito.

De um modo geral a depressão é uma inibição global do sujeito, em que está afectada psiquicamente a memória, raciocínio, criatividade, vontade e funções sexuais. Para o deprimido tudo resulta num esforço enorme levando a um cansaço extremo. Os sentimentos do deprimido são interiores parecendo estranho a quem o rodeia porque é que se encontra naquele estado. Podemos definir a doença desta forma: depressão é um transtorno do humor (ou afectivo), caracterizado por uma alteração psíquica e orgânica global, com consequentes alterações na forma de valorizar a realidade da vida.

Os sintomas da depressão são muitos manifestando-se de diversas formas consoante os traços de personalidade da pessoa sejam mais neuróticos ou psicóticos. Pode surgir angustia acompanhada ou não de ansiedade, tristeza, desânimo, apatia, desinteresse e irritabilidade. O pensamento torna-se lento e preguiçoso, confundem as coisas mais simples, o surgimento de pensamentos negativos é constante e por causa desses pensamentos há uma diminuição acentuada da auto-estima. Fisicamente os sujeitos podem sentir-se indispostos, fracos, sensação de corpo pesado falta de apetite, impotência sexual, e um desânimo generalizado em todas as áreas da vida.

A depressão apresenta também sintomas físicos (muitas vezes confundidos com reumático e outras doenças), tais como dores de cabeça, náuseas provocadas pela ansiedade, dores generalizadas no corpo (braços, pernas e zona dorsal e lombar), cansaço físico, sonolência extrema ou dificuldades em adormecer, insónias, perda de peso.

Ao nível do pensamento os deprimidos tornam-se desconfiados devido às interpretações negativas que fazem acerca de tudo: uma simples brincadeira é interpretada ao pé da letra e levada a sério, passando a ser verdadeira e assumindo contornos de ofensas pessoais. Consideram que a maneira pessimista de ver as coisas, é que está certa. Nos casos muito graves a pessoa deprimida passa a projectar nos outros as ideias pessimistas que tem a seu próprio respeito (o empresário acha que os outros comentam a sua falência, a adolescente acha que estão a comentar que ela é muito feia, o marido que a sua esposa o engana, a criança que não gostam dela etc), portanto são ideias pessimistas que nascem do próprio e são projectadas nos outros.

A tendência que os deprimidos têm para generalizar os pensamentos (só os negativos) leva à diminuição da auto-estima e a fazer afirmações “a minha vida é uma desgraça”, “isto só me acontece a mim”, “tudo o que faço é mal feito”, “ninguém gosta de mim” em que excluem qualquer sentimento ou pensamento positivo das suas vidas.

São muito inseguros, e deixam de fazer certas coisas que impliquem tomar decisões por medo do ridículo e do fracasso, golpes duros para uma auto estima débil ou ausente. Estão sempre a questionar-se se o que fazem está certo ou não, não acreditando minimamente que consigam fazer as coisas.

Outro dos sintomas que afectam grandemente a vida do sujeito é a falta de sono, ou melhor a dificuldade em dormir, levando a que estejam acordados noites inteiras a ruminar nos pensamentos negativos. Muito frequentemente isolam-se, deixam de sair á rua, deixam de cuidar de si (estão vários dias sem tomar banho) e criam fobias sociais. Todos os sintomas descritos afectam muito a vida do sujeito produzindo alterações que impede o seu funcionamento normal, sendo responsável por exemplo pelo absentismo no emprego.

A depressão tem cura através da psicoterapia. No entanto, por vezes é necessário combinar a psicofarmacologia com a psicoterapia, especialmente no inicio do tratamento, e em casos muito graves.

Se acha que está deprimido faça primeiro uma avaliação do seu caso, antes de iniciar a toma de medicamentos. Por si só, não curam e a longo prazo causam danos no organismo.

A psicoterapia é um tratamento duradoiro e irreversível, ou seja, a pessoa fica com um nível de funcionamento saudável, possibilitando-lhe viver, trabalhar e amar como postulou Freud há cem anos.