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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A ansiedade na criança e no lactente

A emergência ansiosa constitui para a criança, assim como para o adulto, a porta de entrada para a maioria dos comportamentos psicopatológicos. A ansiedade de separação, dita desenvolvimental, uma vez que quase todas as crianças a manifestam sempre que existe um afastamento da mãe (transição para a pré-escola, infantário) é muita vez confundida com a angústia de separação, dita patológica e, na verdade são duas coisas diferentes. 

A ansiedade é um afecto penoso associado a uma atitude de espera de um acontecimento imprevisto mas vivido como desagradável.

A angústia é uma sensação de extremo mal-estar acompanhada de manifestações somáticas (dores de barriga, vómitos, dores de cabeça, dificuldades em dormir) e nos bebés traduz-se por noites agitadas com choro intenso ou intermitente, dificuldade em aninhar-se no colo materno, recusa do alimento e doenças físicas frequentes. 

O medo (ligado à ansiedade e à angústia) traduz-se por uma emoção de extrema ansiedade e angustia normalmente associado a um objecto ou situação precisa e que se deve a situações de experiência vivida ou de educação. 

Nas crianças pequenas sinais de ansiedade passam muitas vezes despercebidos aos pais e são desvalorizados na sua maioria podendo mesmo ser confundidos com caprichos. Os sinais de ansiedade e angústia graves são:

Receios com o futuro, medo de acidentes, irritabilidade, cólera, recusa escolar, exigência de ter um adulto por perto, de ser tranquilizada, receios a propósito de atitudes passadas (“ fiz mal…”), desvalorização, culpabilidade, palpitações, taquicardia, dores no troco e abdominais, náuseas. Estes sintomas podem aparecer em crises agudas sempre que haja uma mudança na vida da criança. 

No lactente os sintomas são: gritos e choro intenso com descargas motoras desorganizadas, hipervigilancia (rosto imóvel, silencioso, atento como se tivesse congelado), projecção da cabeça para traz ou do tronco quando o adulto tenta acalmar a criança, incapacidade de anichar-se no colo do adulto apesar dos esforços deste. Os sintomas somáticos no bebé são sobretudo anorexia (recusa em alimentar-se), cólicas intensas, e sobretudo dificuldades, por parte do bebé em encontrar um ritmo de sono regular, podendo surgir as famosas más noites que os pais falam e esperam que passe com o tempo atribuindo o facto ao mau feitio da criança. 

Tratamento – em ambas as situações, criança pequena e lactente o tratamento adequado é um trabalho psicoterapêutico (feito por um psicoterapeuta treinado) de maternagem (ajuda à mãe na interacção com o bebé), ou, se a criança for mais crescida ( 4,5,10…anos) uma psicoterapia de algum tempo para que na vida adulta a criança tenha uma qualidade vida melhor e , até, evitar problemas escolares e de integração social futuros.  Se a ansiedade não for tratada a criança será um adulto ansioso e deprimido na maioria dos casos.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A ansiedade do primeiro dia de escola dos mais pequenos.

Este dia tem como significado primeiro para todas as crianças, a passagem para outra fase do seu desenvolvimento da qual já tem uma enorme consciência “… vou para a escola aprender a ler e a escrever…já não sou bébe…” ouvimo-los dizer, cheios de si por deixarem de pertencer ao grupo dos mais pequenos. Este dia é uma espécie de ritual vivido com alguma ansiedade por pais e crianças. Não é invulgar existirem choros na porta da sala de aula e mães que ficam lá fora para que os seus pequenos as vejam, única forma de ficarem na escola. Claro que é difícil às crianças com 5 /6 anos deixarem o ninho protector do lar, das avós ou dos jardins-de-infância e creches, ambientes conhecidos e seguros que conhecem desde que nasceram. A separação e a autonomia estão intimamente relacionadas, ninguém se separa fisicamente dos pais se não tiver autonomia interna e se sentir seguro que não vai ser abandonado. O grande dilema das crianças á a ansiedade gerada pela incerteza de poderem ser abandonados (embora isso não vá acontecer) e o ficarem num ambiente estranho com pessoas desconhecidas. Quanto mais insegura for a criança mais dificuldade vai ter em se adaptar à escola e em consequência em separar-se dos pais.
A ansiedade gerada pelo primeiro dia de escola é normal e até uma pequena lágrima de ambas as partes, pais e crianças passam para uma nova etapa das suas vidas.
No entanto se a dificuldade de separação se mantiver por mais de uma semana, e a ansiedade da criança for muita, é porque qualquer coisa não está bem ao nível emocional. Por vezes as crianças ficam ansiosas porque os pais também o são e lhes transmitem esse sentimento. Os pais devem ficar atentos às crianças nestes primeiros dias e procurarem observar as suas reacções, perceberem se dormem bem, se brincam e comem, em suma observarem se os níveis de ansiedade dos seus filhos são normais. Ao fim de uma a duas semanas tudo deve estar normalizado. Nem todas as crianças processam a informação no mesmo tempo, logo alguns poderão demorar mais a assimilar uma nova situação. Em caso de situações de extrema ansiedade é conveniente procurar ajuda especializada.