quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Depressão: sintomas e tratamento

A depressão é uma doença do foro psicológico que afecta todo o organismo humano, ou seja, afecta o físico e o psíquico. Assim, a pessoa deprimida poderá ter sintomas físicos que por vezes são diagnosticados como sendo outras doenças, conduzindo a que a pessoa passe anos a correr de médico para médico, fazendo todo o tipo de exames de diagnóstico que nunca dão nada, podendo tornar-se ao longo dos anos num doente crónico. O que acontece muitas vezes é as depressão ser diagnosticada como sendo uma fibromialgia (a fibromialgia é uma depressão major com somatizações) e a pessoa ser medicada com analgésicos e antidepressivos durante os períodos em que as somatizações estão mais presentes, ou seja, quando a pessoa está gravemente deprimida. Esses sintomas físicos podem ser:
·         Dores de cabeça, nos membros superiores e inferiores, dorso, formigueiros no corpo, extremidades e cabeça, dores de estômago e transtornos intestinais.
·         Sensação de esvaimento
·         Insónias recorrentes
·         Fadiga
·         Falta de apetite ou apetite excessivo
Por outro lado existem sintomas psicológicos que são marcadores da depressão. Esses sintomas são:
·         Sentimentos de culpa (a pessoa sente-se culpada de tudo, atribui a si a culpa de tudo o que acontece à sua volta.
·         Baixa autoestima ( está desvalorizada e sente que ninguém a aprecia)
·         Falta de desejo sexual ( perde o interesse no companheiro(a) podendo esse facto ser motivo de discórdia no casal agravando mais o estado da pessoa)

As pessoas deprimidas apresentam um ar descuidado e perderam o interesse na vida.
 São estes os principais sintomas de depressão. No entanto é necessário distinguir entre tristeza e depressão, uma vez que a tristeza è pontual e sempre relacionada com algum acontecimento de vida (morte de familiar, perda de emprego, conflitos interpessoais entre outros) e, quando resolvido o problema, a tristeza cessa.

A depressão é uma doença relacionada com a falta de afecto (amor) e ao contrário do que as farmacêuticas querem fazer crer, tem tratamento sem medicação, em todas as idades. Claro que o prognostico é tanto mais favorável quanto mais cedo for detectada. Num jovem deprimido as melhoras são rápidas, numa pessoa com mais de cinquenta anos poderá levar mais um tempo. 

Porque é que as pessoas ficam deprimidas?

Porque numa fase da sua vida ( na infância) se sentiram pouco amados, valorizados e até injustiçados. Essa magoa que vai crescendo com a pessoa, um dia atinge o pico da dor mental e faz com que a pessoa adoeça. Os sintomas físicos e psicológicos aparecem.  A expressão biológica da doença são as alterações neuronais que tem expressão somática ( no corpo) o que faz com que se pense que a doença é física. Também é, mas sobretudo é psíquica. O depressivo adoeceu por ter tido uma relação afectiva pobre, carente de afecto e rica em desvalorizações e culpabilidade.  Adoeceu pela relação e cura-se pela relação, uma relação terapêutica oblativa (que dá) e promotora de autonomia. Por isso ,o tratamento da depressão tem sempre que incluir psicoterapia que pode ser de várias correntes (psicanalítica, comportamental, cognitiva, construtiva…) não estando uma mais certa que a outra, mas devendo a pessoa escolher aquela que lhe faz mais sentido. Nem todas as pessoas se adequam a todos os tipos de terapia.
Na avaliação do caso o psicoterapeuta credenciado (Membro de uma Sociedade Cientifica) deverá perceber qual o tipo de terapia que se aplica ao paciente e esclarece-lo sobre os diversos tipos de tratamento. Se perceber que o paciente não se enquadra na terapia em que tem formação e a qual pratica, deverá encaminhar para um colega da área.
Portanto, o tratamento da depressão é feito com psicoterapia e eventualmente com antidepressivos,se for necessário, porque está comprovado cientificamente que ao fim de algumas sessões de psicoterapia há uma redução significativa dos sintomas físicos e psicológicos.
Outro mito que importa esclarecer é o referente às terapias alternativas. Dizer que fazer acupunctura, reiki, ioga, correntes, entre outras ofertas que proliferam no mercado, a pessoa se está a curar da depressão, é falso. Essas terapias poderão ser aconselhadas a quem não tem qualquer tipo de problema. A depressão é um problema mental e como tal é tratado por técnicos de saúde mental (psicoterapeutas e psiquiatras), nunca por outro tipo de terapias. O risco de enveredar por terapias alternativas é um preço alto a pagar, uma vez que o problema se poderá agravar e vai gastar dinheiro à toa.  A depressão é uma doença que poderá levar ao suicídio, como tal, familiares e amigos deverão estar atentos quando detectarem sinais em alguém próximo, e encorajar a pessoa a procurar tratamento.
A depressão não passa com o tempo, tende a agravar-se até que o ciclo seja interrompido num tratamento psicoterapêutico, numa relação terapêutica contentora, aberta e promotora do crescimento mental, como refere Coimbra de Matos(2001) .
Quanto mais cedo se detectar a doença mais fácil e rápido é o tratamento, sendo a remissão dos sintomas, por vezes até bastante rápida. Não dê conselhos generalistas a pessoas deprimidas do tipo “ Deixa lá, amanha tudo melhora”,isso só aumenta a desesperança da pessoa, que já perdeu a fé em tudo, sobretudo nas pessoas. Não incentive a ler livros de auto-ajuda tipo “O segredo”, livros desse género pioram a auto-estima pessoal, uma vez que deixam claro que a pessoa muda se quiser. Ninguém muda a forma de pensar sozinho, quando está deprimido. A mudança terá sempre que ser feita com uma nova relação, a relação psicoterapêutica (paciente e psicoterapeuta) e num espaço de relação diferente. 
É um tratamento que requer um investimento de tempo e de dinheiro?
É, mas se pensar nas horas de trabalho que a pessoas perde por ano por estar doente, na degradação da saúde física e mental, na solidão que vai tendo porque os outros se afastam, então é um "seguro de saúde" que fica para o resto da sua vida. A psicoterapia é um investimento com garantias de sucesso.   
Quanto tempo pode durar uma psicoterapia?
Depende do que a pessoa quer alcançar. A remissão dos sintomas faz-se em poucos meses. A consolidação dos resultados pode ir até uma ano ou mais. 
Outra alternativa é a pessoa fazer uma psicoterapia breve ( cerca de 20 sessões) e atingir um nível de funcionamento bom que lhe permita viver bem. É um tratamento mais curto e mais focalizado nos sintomas.

Se esse é o seu caso procure ajuda.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Depressão na infância e adolescência


Embora estejamos cada vez mais familiarizados com o tema da depressão, raramente ouvimos falar de crianças deprimidas. Mas isso não significa que esses casos não existam.
Estima-se que esta perturbação atinja 4 a 8% das crianças e sabe-se que esta incidência tende a subir na adolescência.

A depressão infantil ocorre, em 20% dos casos, em crianças na faixa etária entre 9 e 17 anos, e é causada geralmente, por dificuldades de relacionamentos com a própria família, na escola ou em outros locais que frequentam.

Mas o número mais alarmante diz respeito ao facto de esta ser uma realidade que tende a passar despercebida aos olhos de 70% dos pais.

“Como é que isso é possível?”. Apesar de algumas crianças manifestarem a sua depressão através dos sintomas clássicos (tristeza, pessimismo, ansiedade, etc.), a maioria fá-lo de forma atípica, o que dificulta o diagnóstico.

Assim, na maior parte dos casos, as alterações mais visíveis tendem a confundir-se com rebeldia: irritabilidade, agressividade, hiperatividade e/ou diminuição do rendimento escolar.
Esta manifestação atípica impede muitos pais de perceberem a origem dos problemas e, assim, darem uma resposta eficaz.
O grito de alerta tende a surgir aquando do aparecimento de alterações menos expectáveis, como o medo da morte (conversas recorrentes sobre o tema), sentimentos de culpa e de inutilidade e retrocessos, como a encoprese ou a enurese (defecar ou urinar na roupa ou na cama).
É necessário que nos consciencializemos de que a depressão infantil existe e pode ser grave! Infelizmente, nem todas as crianças são felizes e despreocupadas!

Tentando clarificar melhor os Sintomas que podem servir de alerta aos pais…
A depressão manifesta-se consoante a idade da criança.
Primeira Infância (0 a 2 anos): a depressão nos bebés manifesta-se por, uma recusa acentuada da criança em alimentar-se; um atraso no crescimento, no desenvolvimento psicomotor, da linguagem; perturbação do sono e afecções somáticas (A criança que está muitas vezes doente, faz febres, gripes, viroses com muita frequência!)
Idade pré-escolar (2 a 6 anos): nesta fase a perturbação depressiva, manifesta-se mais por distúrbios de humor (grandes birras, ou grande euforia momentânea substituída rapidamente por grande tristeza e apatia) distúrbio vegetativo (em que a criança não sabe nem gosta de brincar, isola-se muito e fica muito parada no seu canto. Não se interessa por nada).
Nesta fase pode ainda verificar-se comportamentos regressivos a todos os níveis, nomeadamente a nível esfincteriano (podem voltar a fazer cocó e chichi nas cuecas ou na cama), motor e de linguagem.

Idade Escolar (6 a 12 anos): Entre os seis e os oito anos, o quadro depressivo caracteriza-se por tristeza prolongada, ansiedade de separação (a criança que não quer deixar a mãe para ir para a escola) e sintomas psicossomáticos ( dores de cabeça, dores de barriga, diarreias, febres) .
As crianças com mais de oito anos, expressam os seus sentimentos depressivos através de baixa autoestima, ideias auto- depreciatórias, sintomas psicossomáticos, baixa de energia, desinteresse e desespero.
A depressão manifesta-se muitas vezes através das dificuldades escolares, ao nível da ansiedade, do desinteresse, das dificuldades da concentração intelectual e dos problemas de comportamento, para além dos problemas alimentares e de sono. Podem também surgir queixas psicossomáticas. Pode ainda verificar-se um aumento da agressividade, grande irritabilidade, com envolvimento da criança em conflitos com os pares.
Um outro sintoma que pode ocultar também uma depressão é a “hiperatividade”, as crianças muito irrequietas, que não conseguem manter um mínimo de atenção nem de concentração.
Prevenção
Em vez de prevenção, podia estar escrito amor.
Os pais são os melhores atores na prevenção da depressão infantil, dando-lhes o seu amor e carinho, bem como compreensão e amparo e transmissão de confiança.
Tratamento
Como podem os pais ajudar….
Numa primeira fase, o papel dos pais passa por tentar perceber e empatizar com as dificuldades da criança, mesmo que estas pareçam insignificantes. Por exemplo, a mudança de casa ou de escola acarreta mais medos e angústias do que os adultos possam imaginar. Deve existir um ambiente de confiança, propício a que a criança se sinta à vontade para explorar as suas dificuldades. Os pais devem incentivar a criança a falar e entender os seus receios.

Quando recorrer ao psicólogo…

É pois importante que os pais estejam atentos às ALTERAÇÕES REPENTINAS do comportamento e do humor dos filhos.
Se estas alterações se prolongarem por mais de duas semanas, sem que haja uma causa é necessario consultar um psicoterapeuta. 

domingo, 25 de março de 2012

Psicopedagogia

Não é fácil educar, certeza que quase todos os pais têm. Há crianças fáceis que dão pouco trabalho, mas há outras que deixam os pais desesperados, logo desde que nascem. É comum os pais dizerem que o outro filho não lhe deu trabalho. Pois bem, apesar de poderem existir vários irmãos filhos dos mesmos pais, eles são pessoas diferentes, logo reagem de diferentes modos  requerendo outras formas de educação.
Não há pais perfeitos, nem educação ideal, mas há erros que podem ser evitados. O carinho e as regras são fundamentais na educação de todas as crianças. Muitas vezes pais culpabilizados pelo pouco tempo que passam com os filhos substituem o afecto por brinquedos caros. As crianças devem ser incentivadas a viver para o ser e não para o ter. Uma educação pautada por regras firmes mas justas e impostas com afecto é a garantia de estar a construir um ser humano saudável. Tudo isto utilizando a pedagogia do bom senso.
Alguns erros a evitar:
Compensar as ausências com presentes – O que conta é a qualidade do tempo que os pais passam com o filho. Vale mais uma hora diária (embora seja pouco) em que esteja totalmente com o seu filho do que um dia inteiro em que estejam juntos em casa mas a criança está entregue a si própria e à televisão ou computador. A tendência dos pais é fazerem-se substituir pelos presentes logo a criança passa a medir o afecto pelos presentes que recebe. 

Querer ser amigo em vez de pai ou mãe – os pais não são os melhores amigos dos filhos, esses estão lá fora. Há pais que acreditam que as crianças vão gostar mais deles se tiverem um comportamento de amigo em vez de pai. Nada mais errado. As crianças querem pais que sejam pais, que contenham, que estabeleçam limites. Ser amigo do filho vai levar a que a criança relativize as regras e os conselhos e fique confusa. Pais são pais, não são amigos.

Quebrar as regras impostas – as regras tem que ser explicadas e ser justas para que sejam eficazes. Uma regra aplicada de forma injusta e com autoritarismo é uma regra que deseduca. Dizer não é uma necessidade em educação. Muitas vezes os pais têm medo de dizer não. Se proibiu o seu filho de ver televisão durante um tempo não quebre a regra, o seu filho irá julgar que pode quebrar as regras. A nível social poderá trazer-lhe problemas um dia mais tarde. 

Fazer comparações entre filhos ou com outras crianças – é importante aceitar que as crianças têm ritmos diferentes e tempos de aprendizagem diferentes. Comparar com outro filho dizendo que o outro é ou foi melhor aluno, que o colega é mais inteligente porque tem melhores notas, cria sentimentos de frustração enormes. Deve aceitar o seu filho como ele é sem fazer comparações com os outros. Isso não impede que o incentive a ser uma pessoa melhor e mais bem preparada para a vida. Sem cair em exageros claro.

Fazer pelos filhos em vez de ensinar a fazer – as crianças precisam de experimentar a fazer as coisas. Aprende-se praticando. Errar e voltar a tentar é a única forma de aprender. Por vezes os pais não deixam os filhos falhar e fazem as tarefas por eles. O seu filho tem seis anos e quer tomar banho sozinho? Ainda bem, está a manifestar a sua autonomia e por isso deve ser incentivado.

Impor a perfeição aos filhos – nenhum filho é perfeito. Impor a perfeição sob pena da retirada do afecto ou de castigos é algo que cria um sentimento enorme de inferioridade. Um pai que nunca está satisfeito com as notas do filho (mesmo que o filho tenha tido 92% numa prova) é criar um sentimento de imperfeição e subir os parâmetros para níveis que levam sempre a uma grande insatisfação. Se o seu filho é um aluno médio ajude-o a aproveitar melhor as suas capacidades mas em exigir o impossível.
   
Proteger demasiado – Proteger demasiado uma criança para que não passe por frustrações medos ou fracasso poderá levar ao bloqueio da criança. Deixe-o experimentar e falhar. Ajude-o a lidar com as adversidades da vida e a defender-se. Proteger demasiado inibe a agressividade necessária à sobrevivência. 

Mostrar as próprias fragilidades à criança – mostrar as preocupações às crianças vai levar a um sentimento de insegurança enorme. Os filhos esperam pais fortes e capazes de os proteger. Mostrar uma imagem de pai ou mãe desvalorizado e pouco competente pode levar a criança a criar sentimentos de culpa. Poderá falar de alguns problemas mas sem sobrecarregar com moralismos ou culpabilidade. 

Desautorizar o pai ou a mãe em frente à criança – quando os pais se desautorizam estão a desvalorizar-se perante a criança. A criança deixa de respeitar ambos os pais. Mesmo que não concordem devem falar em privado e chegar a um consenso. As crianças aprendem a manipular os pais que não estão em sintonia. 

Não conversar com os filhos – para que a criança crie confiança é necessário que a comunicação seja aberta na família. Nunca deixe de responder às questões do seu filho e mantenha o canal de comunicação aberto para que ele recorra sempre que precise. 

Brincar com a criança – há pais que não brincam com os filhos, ou deixam de brincar cedo demais por acharem que isso infantiliza a criança. Brincar com os pais fortalece os laços entre pais e filhos e ensina o verdadeiro valor do afecto: a criança sente-se amada e apoiada. Programar brincadeiras e actividades em família é das coisas mais proveitosas que pode fazer pelo futuro do seu filho. 

Deixar a educação para a escola – na escola não se educa, espera-se que as crianças tragam educação de casa. A educação tem que ser feita pelos pais. A função do professor é ensinar. Os problemas de disciplina estão a aumentar pela demissão dos pais da educação dos filhos. Responsabilize o seu filho pelo seu comportamento na escola e não lhe permita faltas de respeito com os professores. Deixe isso bem claro. Exija do professor que ensine, não que ensine valores morais e de conduta, embora também o possa fazer. Se os pais não cumprirem o papel de educadores, o professor vai ter dificuldade em ensinar por ter que por limites e regras que já deveriam estar adquiridos.  

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A ansiedade na criança e no lactente

A emergência ansiosa constitui para a criança, assim como para o adulto, a porta de entrada para a maioria dos comportamentos psicopatológicos. A ansiedade de separação, dita desenvolvimental, uma vez que quase todas as crianças a manifestam sempre que existe um afastamento da mãe (transição para a pré-escola, infantário) é muita vez confundida com a angústia de separação, dita patológica e, na verdade são duas coisas diferentes. 

A ansiedade é um afecto penoso associado a uma atitude de espera de um acontecimento imprevisto mas vivido como desagradável.

A angústia é uma sensação de extremo mal-estar acompanhada de manifestações somáticas (dores de barriga, vómitos, dores de cabeça, dificuldades em dormir) e nos bebés traduz-se por noites agitadas com choro intenso ou intermitente, dificuldade em aninhar-se no colo materno, recusa do alimento e doenças físicas frequentes. 

O medo (ligado à ansiedade e à angústia) traduz-se por uma emoção de extrema ansiedade e angustia normalmente associado a um objecto ou situação precisa e que se deve a situações de experiência vivida ou de educação. 

Nas crianças pequenas sinais de ansiedade passam muitas vezes despercebidos aos pais e são desvalorizados na sua maioria podendo mesmo ser confundidos com caprichos. Os sinais de ansiedade e angústia graves são:

Receios com o futuro, medo de acidentes, irritabilidade, cólera, recusa escolar, exigência de ter um adulto por perto, de ser tranquilizada, receios a propósito de atitudes passadas (“ fiz mal…”), desvalorização, culpabilidade, palpitações, taquicardia, dores no troco e abdominais, náuseas. Estes sintomas podem aparecer em crises agudas sempre que haja uma mudança na vida da criança. 

No lactente os sintomas são: gritos e choro intenso com descargas motoras desorganizadas, hipervigilancia (rosto imóvel, silencioso, atento como se tivesse congelado), projecção da cabeça para traz ou do tronco quando o adulto tenta acalmar a criança, incapacidade de anichar-se no colo do adulto apesar dos esforços deste. Os sintomas somáticos no bebé são sobretudo anorexia (recusa em alimentar-se), cólicas intensas, e sobretudo dificuldades, por parte do bebé em encontrar um ritmo de sono regular, podendo surgir as famosas más noites que os pais falam e esperam que passe com o tempo atribuindo o facto ao mau feitio da criança. 

Tratamento – em ambas as situações, criança pequena e lactente o tratamento adequado é um trabalho psicoterapêutico (feito por um psicoterapeuta treinado) de maternagem (ajuda à mãe na interacção com o bebé), ou, se a criança for mais crescida ( 4,5,10…anos) uma psicoterapia de algum tempo para que na vida adulta a criança tenha uma qualidade vida melhor e , até, evitar problemas escolares e de integração social futuros.  Se a ansiedade não for tratada a criança será um adulto ansioso e deprimido na maioria dos casos.